Por Fredi Jon
Depois de mais de 25 anos entrando na casa das pessoas com um violão na mão, descobri uma coisa curiosa: nunca vi ninguém interromper uma serenata para perguntar quantas curtidas ela teve.
Mas já vi muito marmanjo, que dizia não chorar de jeito nenhum, desabar na primeira música quando encontrou a esposa com quem divide a vida há 75 anos. Sim… setenta e cinco anos. É tempo suficiente para criar rugas, histórias, saudades, perdões, filhos, netos, bisnetos e um amor que nenhuma fotografia consegue explicar.
É por isso que, sempre que ouço alguém dizer que está “sem tempo”, eu sorrio. O tempo existe. O problema é onde estamos gastando ele.
Enquanto muita gente passa horas deslizando o dedo pela tela, a vida vai deslizando sem pedir licença. Os cabelos embranquecem. Os pais envelhecem. Os filhos crescem. Amigos desaparecem da nossa rotina e, às vezes, da própria vida. E quando percebemos, aquele “qualquer dia eu vou” já não pode mais acontecer.
A serenata me deu um privilégio que poucas profissões oferecem: assistir aos bastidores da vida. Eu já cantei para aniversários, pedidos de casamento, bodas, reencontros, despedidas e até para pessoas que sabiam que aquele seria um dos últimos capítulos da própria história.
E quer saber de uma coisa?
Nunca ouvi alguém dizer:
— Fredi… meu maior arrependimento foi não ter postado mais.
O que eu escuto é bem diferente.
“Como eu queria ter abraçado mais meu pai.”
“Devia ter visitado mais minha mãe.”
“Eu podia ter dito mais vezes que amava.”
Essas frases aparecem muito mais do que imaginamos.
Não sou eu quem diz isso. Diversos estudos sobre os arrependimentos de pessoas em fase final da vida mostram que elas lamentam muito mais o tempo que deixaram escapar do que as oportunidades de aparecer. O que dói não é a falta de aplausos. É a ausência dos abraços que nunca aconteceram, das palavras que ficaram presas e dos momentos que foram adiados até ser tarde demais.
As redes sociais têm seu valor. Aproximam pessoas, ajudam a divulgar trabalhos, fazem parte do nosso tempo. Eu mesmo estou nelas. O problema começa quando elas deixam de ser a janela da vida e passam a substituir a própria vida.
Existe uma diferença enorme entre registrar um momento e deixar de vivê-lo porque você estava preocupado em registrá-lo.
Sabe qual é a vantagem da serenata?
Durante alguns minutos, ninguém liga para notificações. O celular continua ali, mas perde a importância. O que passa a valer é o olhar entre um casal, o abraço apertado entre pai e filho, a mão enrugada segurando outra mão com a mesma delicadeza de décadas atrás, a lágrima que insiste em cair e aquele sorriso que nasce sem pedir licença.
Essas cenas dificilmente viralizam. Nenhum algoritmo entende o peso de um perdão, o valor de um reencontro ou a grandeza de um último abraço. Mas são justamente esses instantes que permanecem vivos quando todo o resto desaparece.
Depois de tantos anos sendo um cantador de histórias, cheguei à conclusão de que a vida jamais será medida pela quantidade de pessoas que olharam para você através de uma tela, mas pela quantidade de corações que bateram diferente porque você esteve presente.

Um dia, alguém tocará a campainha da casa de quem você ama para anunciar uma despedida, e não uma homenagem. Nesse dia, nenhuma rede social devolverá o tempo que foi desperdiçado olhando para uma tela. Nenhum like trará de volta um pai, uma mãe, um amigo ou um grande amor. O algoritmo não conhece a saudade. Ele não consola o vazio de uma cadeira que ficou sem dono.
Por isso, enquanto ainda há tempo, viva. Abrace demoradamente. Visite sem motivo. Diga “eu te amo” antes que ele se transforme em arrependimento. Crie lembranças que sobrevivam à sua própria ausência.
Quando o último acorde da nossa vida silenciar, ninguém perguntará quantos seguidores tivemos. A única pergunta que realmente importará será esta:
Você apenas passou pelo mundo… ou fez da sua passagem uma história inesquecível na vida de alguém?
Conheçam nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788
