O telefone morreu

Por Fredi Jon O telefone morreu. Não houve velório, nem missa de sétimo dia. Talvez porque ninguém tenha percebido exatamente quando. Esse pensamento me ocorreu ao voltar de uma serenata. Eu estava com vontade de ligar para um amigo e contar um fato tão divertido que, por telefone, provavelmente renderia boas risadas. Era daqueles acontecimentos que precisam ser contados com entusiasmo, com pausa, com exagero, com aquela interrupção inevitável de quem começa a rir antes mesmo de terminar a história. Peguei o celular. Parei. Pensei: “Será que ele pode atender?”…

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Quando a música encontra seu intérprete

Por Fredi Jon Talvez exista na música uma espécie de mistério que a técnica, por mais sofisticada que seja, jamais consiga explicar completamente: algumas músicas parecem esperar por uma determinada voz. Não é apenas uma questão de afinação, extensão vocal ou domínio técnico. É algo mais profundo. Há intérpretes que encontram uma sequência harmônica e parecem reconhecê-la antes mesmo de compreendê-la racionalmente. Como se aqueles acordes já estivessem, de alguma maneira, dentro deles. Uma música pode ser perfeitamente construída e, ainda assim, permanecer adormecida. A harmonia está ali, a melodia…

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O que os filhos ouviram naquela noite

Por Fredi Jon Naquele Dia dos Pais, a família imaginava apenas uma serenata. Quando os músicos terminaram a última canção, houve aplausos, abraços e aquele silêncio bonito que costuma aparecer quando alguma coisa toca mais fundo do que esperávamos. O pai sorriu. Olhou para os filhos, respirou devagar e tirou do bolso uma folha dobrada. — Eu escrevi isso para vocês. E começou a ler: “Meus filhos, Hoje eu estava pensando em quanto tempo já caminhamos juntos. É curioso… a gente passa tantos anos tentando ensinar os filhos a andar e,…

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O amor que não precisou pedir perdão ao tempo

Por Fredi Jon  Existem pessoas que passam pela vida construindo patrimônios. Outras constroem lembranças. Mas existem algumas, muito raras, que constroem saudades antes mesmo de partirem. Alexandre era um filho assim. Ao longo dos anos nos chamou muitas vezes. Primeiro, para agradecer aos pais quando deixava a casa onde crescera. Depois vieram serenatas para a esposa, para amigos e outras homenagens da família. Aprendi que, para ele, o amor sempre era urgente. No Dia dos Pais de 2014, mesmo estando na Europa, ele nos escolheu mais uma vez para sermos…

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Um dia você daria tudo por mais uma música ao lado do seu pai

Por Fredi Jon Depois de tantos anos entrando na casa das pessoas levando serenatas, aprendi que o Dia dos Pais nunca é apenas uma data. É um espelho. E a música tem um jeito curioso de fazer esse espelho mostrar aquilo que o tempo tentou esconder. Falo isso como observador. Já vi pais sorrindo antes mesmo da primeira palavra da canção, mas também já vi homens fortes perderem completamente a voz quando reconheceram uma melodia da juventude. É como se, por alguns minutos, eles deixassem de ser apenas pais para…

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Enquanto você desliza a tela, a vida desliza por você

Por Fredi Jon Depois de mais de 25 anos entrando na casa das pessoas com um violão na mão, descobri uma coisa curiosa: nunca vi ninguém interromper uma serenata para perguntar quantas curtidas ela teve. Mas já vi muito marmanjo, que dizia não chorar de jeito nenhum, desabar na primeira música quando encontrou a esposa com quem divide a vida há 75 anos. Sim… setenta e cinco anos. É tempo suficiente para criar rugas, histórias, saudades, perdões, filhos, netos, bisnetos e um amor que nenhuma fotografia consegue explicar. É por…

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De quem é a culpa?

Por Fredi Jon De quem é a culpa? Tenho me feito essa pergunta com frequência. De quem é a culpa quando alguém escolhe o silêncio porque sabe que a verdade não será ouvida? Não porque ela esteja errada, mas porque quem a recebe já decidiu se ofender antes mesmo de refletir. Confesso que, às vezes, penso duas vezes antes de dizer o que realmente acredito. Não por falta de argumentos. Mas porque parece que chegamos a um tempo em que qualquer opinião que desafie uma convicção é imediatamente tratada como…

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O mundo anda cansando a alma das pessoas

Por Fredi Jon E não é só pelo excesso de trabalho, pelas contas, pelo trânsito ou pelas notícias ruins. Existe um cansaço mais profundo acontecendo. Um desgaste invisível. Como se o ser humano estivesse perdendo, aos poucos, a capacidade de sentir a vida com calma. O barulho tomou conta de tudo. Das ruas, das telas, das relações e principalmente da mente humana. Hoje quase ninguém escuta mais de verdade. As pessoas apenas esperam a vez de falar. Todo mundo parece estar armado de certezas, pronto para defender opiniões como se…

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Música: A ponte entre quem fomos e quem somos

Por Fredi Jon Há muitos anos me coloco como observador dessa relação viva entre a música e o corpo humano. Não falo apenas como músico e bom ouvinte, mas como alguém que a acompanha acontecendo nas pessoas, como se ela revelasse algo que já estava ali, silencioso, esperando um estímulo para emergir. Nas serenatas isso se torna ainda mais evidente. Ao longo de todos esses anos, percebo um fenômeno que se repete, mas nunca da mesma forma: quando a música chega até alguém em um ambiente íntimo, sem palco, sem…

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Dia dos Namorados em ritmo digital: quando a serenata aquece o que a tecnologia não alcança

Por Jorge Oliveira Em um tempo marcado por mensagens instantâneas, emojis, vídeos curtos e declarações enviadas com apenas um toque na tela, o Dia dos Namorados ganha novos formatos. Aplicativos aproximam pessoas, algoritmos sugerem afinidades e a comunicação acontece em velocidade inédita. Ainda assim, em meio à transformação digital, permanece uma necessidade profundamente humana: a de expressar sentimentos de forma autêntica e presencial. É justamente nesse espaço que tradições como a serenata seguem encontrando significado. Mais do que uma apresentação musical, a serenata representa um gesto de dedicação, presença e…

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