Especialista em RH defende atenção aos sinais físicos, emocionais e mentais como parte de uma rotina de prevenção
Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul colocam diferentes aspectos da saúde em evidência ao longo do segundo semestre. Embora cada campanha tenha um foco específico, elas também podem ser compreendidas a partir de uma questão comum. Que é o quanto as pessoas conhecem o próprio corpo, reconhecem seus limites e percebem mudanças antes que elas se transformem em problemas de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) sustenta uma compreensão de saúde que ultrapassa a ausência de doenças e considera o bem-estar físico, mental e social. No ambiente de trabalho, essa abordagem ganha relevância. Dados atualizados da própria organização apontam que 16% dos adultos em idade produtiva tinham algum transtorno mental em 2023. A OMS também estima que depressão e ansiedade provoquem a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo.
“Quando falamos em saúde integral, estamos falando de uma pessoa que consegue perceber o que acontece com ela antes de chegar ao limite. Isso envolve observar o corpo, identificar sinais de cansaço e sobrecarga, reconhecer emoções, entender os próprios hábitos e também perceber quais relações e experiências estão contribuindo ou prejudicando seu bem-estar”, afirma a psicóloga e consultora especializada em desenvolvimento de lideranças Bruna Antonucci.
Nesse sentido, o autoconhecimento pode funcionar como uma ferramenta de prevenção. A proposta não é transformar cada alteração física ou emocional em motivo de preocupação, mas desenvolver maior capacidade de percepção sobre si mesmo. O desconforto persistente, a irritabilidade, a alteração do sono, a falta de energia, o isolamento ou a dificuldade de concentração, por exemplo, podem ser sinais de que algo precisa ser observado e cuidado.
“Existe uma cultura de procurar ajuda principalmente quando a dor já apareceu ou quando o problema já está instalado. O autocuidado propõe uma mudança de lógica. Em vez de esperar o corpo ou a mente cobrar uma conta, a pessoa começa a construir uma relação mais atenta consigo mesma”, explica a especialista.
A dimensão emocional também faz parte desse processo. Setembro Amarelo amplia a discussão sobre sofrimento psíquico e a importância de pedir ajuda, enquanto Outubro Rosa chama atenção para o conhecimento do próprio corpo e para a prevenção do câncer de mama. Já o Novembro Azul tradicionalmente coloca a saúde masculina em evidência, inclusive diante de barreiras culturais que ainda podem dificultar a procura por atendimento e a adoção de práticas preventivas.
Ainda para Bruna, o ponto de encontro entre essas iniciativas está justamente na mudança de comportamento. “As campanhas são importantes porque criam momentos de atenção, mas o cuidado não pode durar apenas um mês. A prevenção precisa fazer parte da vida, e isso começa quando a pessoa passa a se perguntar como está, o que está sentindo, quais limites tem ultrapassado e do que precisa para se manter bem”, diz.
A chamada saúde integral também pode incorporar uma dimensão espiritual, desde que compreendida de maneira ampla e sem associação obrigatória com religião. Nesse contexto, espiritualidade está relacionada a sentido, valores, pertencimento, propósito e conexão com aquilo que dá sustentação à vida. É uma dimensão que pode ajudar a pessoa a compreender o que considera importante e quais elementos contribuem para seu equilíbrio.
“No ambiente profissional, essa percepção também é importante. Trabalho não é uma dimensão isolada da vida. O que acontece emocionalmente, fisicamente e nas relações pode afetar a forma como a pessoa trabalha, assim como as condições de trabalho podem interferir em sua saúde. Por isso, falar de saúde integral também é falar sobre limites, propósito, relações e qualidade de vida”, finaliza Bruna.
