Você ainda é humano?

As redes sociais vivem nos perguntando se somos humanos.
“Marque as imagens com semáforos.”
“Prove que não é um robô.”
“Confirme sua identidade.”

Curioso.

Nunca perguntam se somos éticos.
Nunca perguntam se somos responsáveis.
Nunca perguntam se ainda somos capazes de sentir vergonha.

Basta clicar em alguns quadradinhos e pronto: você está autorizado a existir.

Enquanto isso, do outro lado da tela, humanos “verificados” destroem países em nome de ideologias, transformam mentiras em bandeiras, ódio em discurso e violência em projeto político.
Com CPF, RG e perfil autenticado.

Adolescentes filmam atrocidades.
Riem enquanto maltratam animais.
Incendeiam pessoas por diversão.
Transformam crueldade em conteúdo.
E curtidas em troféus.

O crime organizado não se esconde mais nas sombras.
Ele tem marketing.
Tem redes sociais.
Tem influência.
Tem fãs.

E nós seguimos passando no teste do robô.

Talvez o erro esteja na pergunta.

Porque ser humano nunca foi sobre reconhecer bicicletas em fotos borradas, mas sim reconhecer o outro como alguém que sente, sangra, sonha e sofre.

É sobre limites.
É sobre empatia.
É sobre responsabilidade.

Mas isso não dá engajamento.

Vivemos na era em que a brutalidade viraliza mais rápido que a bondade.
Em que o absurdo rende mais cliques que a reflexão.
Em que a mentira corre em alta velocidade e a verdade vai a pé.

E então eu pergunto:

O que é ser humano hoje?

É gritar mais alto que o outro?
É destruir para vencer?
É humilhar para aparecer?
É lucrar com a dor?

Que jovens estamos formando?
Consumidores de ódio?
Colecionadores de likes?
Especialistas em indiferença?

E que mundo estamos deixando para eles?
Um território emocional devastado.
Uma natureza em ruínas.
Uma convivência em colapso.

Talvez, em breve, os algoritmos parem de nos perguntar se somos robôs.

E passem a perguntar:

“Você ainda é humano?”

Porque, olhando ao redor, essa já não é uma resposta tão óbvia.

Texto – Fredi Jon

 

Pela musica somos a ponte para um mundo mais humano

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