Por Fredi Jon
Chamam de dia da mentira. Mas isso já soa ingênuo demais. A mentira, quando é forte o suficiente, não precisa de data, ela vira ambiente, vira cultura, vira ar. E o mais inquietante: a gente aprende a respirar isso sem perceber.
No Brasil, a ilusão mais sofisticada é a que conforta. A gente pensa que vota, que decide, que muda rumos. Mas se o jogo continua praticamente o mesmo, eleição após eleição, talvez o voto não seja poder, seja apenas um ritual que nos dá a sensação de participação. E sensação não é transformação.
A gente pensa que tem direitos. Mas direitos que precisam ser implorados, judicializados, mendigados… ainda são direitos? Ou são concessões intermitentes, distribuídas conforme o humor do sistema? Saúde que falha, educação que não emancipa, segurança que seleciona quem proteger. Isso não é acidente. É estrutura. E estrutura muda com ruptura, consciência e pressão real.

A gente pensa que aprende. Mas aprender exige confronto, exige desconforto, exige quebrar crenças. E o que mais vemos é repetição: fórmulas, discursos, ideias prontas. Será que aprendemos, ou apenas fomos treinados para não questionar?
A gente pensa que ensina. Mas o que se ensina quando se está preso nas mesmas ilusões? Ensinar sem consciência perpetua.
A gente pensa que trabalha. Mas trabalhar para sobreviver, sem tempo, sem presença, sem sentido… isso é trabalho ou é um tipo socialmente aceito de exaustão?
A gente pensa que vive. Mas viver exige presença, escolha, autoria. E quantas dessas coisas ainda nos pertencem de fato?
A gente pensa que pensa.
Mas pensar de verdade é perigoso. Pensar de verdade desmonta narrativas, cria conflito interno, obriga a ver o indesejado. Por isso é raro. Por isso incomoda.
Enquanto isso, pagamos. Pagamos para nascer, para existir, para circular, para tentar melhorar. Pagamos com dinheiro, com tempo, com saúde mental. Mas o custo mais alto não é financeiro, é existencial. É o preço de viver uma vida parcialmente consciente, parcialmente dirigida, parcialmente sua.
Então talvez o 1º de abril não seja sobre a mentira que contamos aos outros, mas a mentira que aceitamos dentro de nós.
Se tudo isso é tão evidente… por que a gente continua aceitando?
Medo? Comodidade? Falta de alternativa? Ou será que, no fundo, a maior mentira é acreditar que não temos escolha?
Porque no momento em que você enxerga a mentira, de verdade, você deixa de ser inocente dentro dela. E a partir daí, continuar como antes já não é mais ignorância.
É decisão.

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Fredi Jon – O Cantador de Histórias reúne relatos reais vividos ao longo de 25 anos de serenatas, encontros e música. Entre noites inesquecíveis, surpresas românticas, momentos engraçados e situações emocionantes, o autor compartilha experiências marcantes que só quem vive a música tão de perto poderia contar.
Cada história revela bastidores curiosos das serenatas, mostrando como a música é capaz de aproximar pessoas, despertar sentimentos e criar memórias que ficam para sempre.
Uma leitura leve, divertida e emocionante, perfeita para quem ama música, boas histórias e momentos cheios de emoção. Descubra as histórias que a serenata escreveu ao longo de 25 anos.
